quinta-feira, 22 de julho de 2010

Infância roubada -ECA em ação

Infância roubada – ECA em ação.


A minha história teve inicio ainda na década de sessenta, quando o ECA nem era discutido e pensado, naquela época, vigorava então o Código de Menores, leis ultrapassadas, imaginárias, sem respeito aos direitos da criança e do adolescente. Sustentava-me numa família agregada na zona rural, La no interior da Paraíba, eu, uma menina sonhadora, com o propósito de mudar o rumo de minha própria historia, primogênita de dez irmãos contrariava as decisões da sociedade, que ditavam as normas para minha conduta, rebelava-me diante das demais crianças da minha idade, porém, na dissidência do vai-vem da vida, furtava-me o direito sagrado a educação, garantido pelas leis do nosso país se é que naquela época esses direitos eram de verdade garantidos. Ignorei posições sociais, alfabetizei-me aos 14 anos de idade e, contrariando os desejos do meu pai, tornei-me professora do antigo primário, momento em que aconteceu a separação dos meus pais, naquela época fui mais além, prestei vestibular para o curso de Ciências Jurídicas, aos 27 anos de idade, tornei-me advogada, ocasião em que, conhecedora das leis, iniciavam-se as discussões sobre o estatuto da criança e do adolescente. Nesta jornada iniciei os meus trabalhos na perspectiva de atuar como defensora dos direitos humanos da sociedade, e em especial, defendendo os direitos de crianças que teriam sua infância roubada assim como eu tive, não demorou muito e voltei à universidade para me formar pedagoga, graduação que me deu o direito a dar meus primeiros passos como educadora numa escola pública na capital paraibana, conhecer de perto e sentir na pele os prognósticos e dissabores vivenciados por crianças e adolescentes, diante da violência vivenciada no espaço doméstico e na propagação do trabalho infantil, iniciado nos primeiros anos de vida do ser humano.

Como educadora descobri o lado cruel em que vive hoje nossas crianças e adolescentes, o medo, a violência sexual especialmente vivenciada no âmbito familiar, espaço onde deveria de fato ocorrer à proteção o respeito, a dignidade e a orientação para a vida. Falta, no entanto os direitos que nos asseguram a lei, e asseguram em especial as nossas crianças e adolescentes. A vida me presenteou com um cargo de professora, e hoje, gestora de escola pública, oportunidades que tem me dado a visibilidade da necessidade de mudanças e de pessoas corajosas para denunciar o estado de negligência vivenciada pelos nossos pequenos. Na atual gestão que atuo, tenho criado para nossos alunos espaços de conversação onde os mesmos têm a oportunidade de expor as suas vivencias pessoais e encontrar apoio num momento em que devemos denunciar a violência vivida por eles, e para assegurar o direito a cada um deles garantido, buscamos apoio junto aos Conselhos Tutelares, Ministério Público, e Secretarias de Educação, assim como estabelece e assegura o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Sabemos das dificuldades que cruzam as nossas linhas de partida e chegada, rumo a uma sociedade mais justa, onde a igualdade de direitos esteja presente de forma geral, mas, não pudemos desistir diante dos conflitos e da necessidade de mudar, sou exemplo dessa luta, vim da zona rural no interior da Paraíba, e hoje dirijo uma escola na capital paraibana. Lembro-me bem quando fui nomeada através do concurso público, para atuar na escola que hoje administro, era uma escolinha pequena, toda quebrada, o piso esburacado, alunos fora da faixa etária sem nenhuma proposta pedagógica. Iniciadas as minhas atividades de educadora no ano de 1993, me sentia incomodada com a escola em que atuava, queria uma escola onde a comunidade tivesse a oportunidade de opinar, sugerir, contribuir com a implantação de uma proposta pedagógica inovadora. No ano de 2003, fui eleita gestora daquela escola, na ocasião, sentia no meu intimo que a oportunidade de mudar a história da minha escola estava em minhas mãos, e assim aconteceu, hoje, a escola pequenininha e esburacada que recebi compõe se de um novo corpo docente, com um Projeto Político Pedagógico estruturado e elaborado com a participação de toda a comunidade escolar, vindo de certo modo atender os anseios e as necessidades da comunidade em torno da escola, criando para os nossos alunos uma proposta curricular que atenda os seus anseios e os seus desejos. Implantamos de forma progressiva o processo de gestão democrática, uma forma de respeitar a opinião dos diferentes, especialmente dos nossos alunos na sua grande maioria composto por crianças e adolescentes. Sinto me realizada e consciente do cumprimento dos meus deveres enquanto educadora, porém, a batalha não termina por aqui, estamos atentos constantemente a tudo que diz respeito ao comportamento de nossas crianças e adolescentes e o que eles querem dizer e expressar através de gestos que muitas vezes sentem medo de expressar em palavras. É preciso ter coragem, compromisso, e serenidade para atuar na luta e no respeito pelo direito assegurado aos nossos jovens adolescentes segundo estabelece as nossas leis.

E a vida nos reserva surpresas a cada passo que damos na caminhada. Atuei em muitas defesas como profissional do ramo jurídico, defendendo direitos de adolescentes quando sentia que os mesmos estavam sendo violados, mas a surpresa me veio no campo educacional. Em certa manhã no mês de janeiro do ano de dois mil e nove, me encontrava nas dependências internas da escola em que trabalho, conversando com uma equipe de funcionários na tentativa de organizarmos as turmas e os professores para o inicio do ano letivo, quando de repente uma voz feminina perguntava: a diretora está? Dirigi-me até o portão da escola e a cumprimentei cordialmente bom dia, o que desejas? A mulher acabrunhada e com a voz embargada, dizia: quero matricular meu filho de nove anos de idade, tem vaga na sua escola? Respondi imediatamente podemos verificar, as matriculas estão encerradas, mas na nossa escola encontramos solução para tudo, vamos seja bem vinda, e então cadê seu filho? A senhora olhou para trás e disse ao marido traga-o, foi quando o pai devagarzinho tirou a criança do carro e trouxe-a nos braços, um menino lindo cheio de alegria, sorridente, bem humorado, porém com impedimento de se mover sozinho é portador de paralisia cerebral. E a mãe continuou, venho daquela escola, fui despachada no portão mesmo, a diretora me disse que lá não recebe criança assim como meu filho! Silenciei por um instante, dentro de mim borbulhava um turbilhão de neurônios indignados com a falta de respeito daquela profissional que deveria ter cuidado da situação de uma forma mais humana. Depois respondi, pois é mãe, nós recebemos o seu filho sim e iremos fazer o que tiver ao nosso alcance para proporcionar a ele uma escola digna e com respeito assim como para os demais alunos. Perguntei qual o seu nome, a mãe me respondeu Felipe, dali em diante a minha comunicação ocorreu com a criança de uma forma dinâmica sem que a mãe interferisse no diálogo, parecia que a criança compreendia tudo que eu lhe falava, o que mais me surpreendia era porque aquele era o nosso primeiro contato. Matriculamos a criança e entramos em campo para buscar apoio no espaço físico e material pedagógico adaptado para atender como manda a lei ao aluno. Conseguimos para o inicio do ano letivo cadeira adaptada, computador sensível ao toque, jogos, enfim todo material necessário para trabalhar com o aluno Felipe, inclusive fomos contemplados com uma sala de recursos e dois profissionais capacitados para atender alunos com necessidades especiais em horário oposto ao turno em que estuda. Decorreu-se todo o ano letivo de dois mil e nove e o garoto Felipe cada dia mais entusiasmado e feliz, não houve qualquer tipo de preconceito ou discriminação, nem pelos próprios alunos, nem por parte dos pais, a aceitação ocorreu de forma natural. Ao final do ano, Felipe foi promovido para o segundo ano do Ensino Fundamental, continuando a estudar em nossa Escola por este ano, mostrando a outros pais e alunos a possibilidade de se ter uma criança com necessidade educativa especial em uma sala de aula regular e ainda mais encorajando outros pais a matricularem seus filhos numa sala regular em nossa instituição de ensino.

Para agirmos desta maneira, precisamos nos municiar e apoderar do conhecimento necessário sobre o ECA, na certeza de que teremos o suporte necessário na defesa dos direitos das nossas crianças e adolescentes muitas vezes abandonados ao próprio destino.

“A mudança é um processo constante que exige comprometimento dos profissionais envolvidos, determinação e coragem sem medo de ser vencido pelo cansaço.’’

Jornal Fala Escola

 No curso Proinfo I, a Escola Municipal Carlos Neves da Franca, representada nesta ação pelas educadoras: Adnilda Suely, Lucia Teixeira, Maria de Fátima Figueiredo e Rita de Cássia, impulsionadas pelo desejo de crescer e crescer mais, estamos estudando e inserindo no ambiente escolar o Jornal Fala Escola.  O referido Projeto, tem como objetivo tabalhar os alunos do 6º ano turno manhã e Ciclo II da EJA - Educação de Jovens, na perspectiva de abordar a melhoria no ensino aprendizagem especialmente na leitura e escrita. Visitem nossa escola, conheça nossos projetos e programas. Sim, para não esquecer já viram o nosso email, escolamunicipalcarlosnevesdafr@gmail.com.
Aguardem notícias.....

domingo, 24 de janeiro de 2010

Programa Escola Aberta

O Programa Escola Aberta é destinado a toda comunidade escolar. Todos os sábados das 7:00 horas (manhã) às 19:00 horas (noite), a escola está aberta para atender a toda comunidade que deseja participar de oficinas destinadas a qualificação profissional ou para liberar  energia e soltar o corpo. São realizadas diversas oficinas como: aeróbica, recreação, meia de seda, violão, flauta doce, xadrez, ballet, capoeira, informática, desenho artistico, dança popular e manicure. Para o ano de 2010, o módulo I do Programa vem com uma novidade, o curso de informática  acontecerá na versão mais avançada para os alunos que cursaram informática básica. E o melhor de tudo, os cursos são gratuítos e o(a)  aluno(a) não precisa comprar qualquer material, a escola dispõe de todo material necessário.

Programa Escola em Tempo Integral


O Programa Escola em Tempo Integral, foi implementado na Escola Municipal Carlos Neves da Franca no ano de 2008, tendo ganhado maior credibilidade no ano seguinte. É um programa que visa atender crianças e adolescentes em situação de risco e trazê-lo para o ambiente escolar nos turnos manhã e tarde. Nesta perspectiva, os alunos estudam na instituição seguindo a grade curricular em um  turno e no horário oposto frequentam oficinas com o propósito de reforçar a permanência na escola, evitando que fiquem na rua e até mesmo desenvolvendo atividades laborais impróprias para a idade. As oficinas realizadas pela escola são: capoeira, apoio pedagógico, ética e rádio escola. Percebemos um grande interesse do alunado em se envolver com as atividades desenvolvidas por ofiineiros que atuam de forma comprometida.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Apresentação

Escola Municipal Carlos neves da Franca, situada no Bairro José Américo, na cidade de João Pessoa - PB, foi fundada no ano de 1979, tendo as suas atividades regularizadas no ano seguinte, após a publicação do Decreto nº 979/80. Inicialmente, a estrutura física era bastante precária, composta por quatro salas de aula, cozinha, sanitários e sala para secretaria. Em face desta deficiência, perniciosa para o ambiente de aprendizagem, a escola foi submetida, entre os anos de 2003 e 2004, a uma reforma, que modificou substancialmente a edificação, ampliando a quantidade e a extensão de salas, edificando novas áreas, aperfeiçoando as já existentes, ensejando, enfim, conforto e bem-estar. Decerto, uma obra de tal importe tenderia a se perenizar ou, ao menos, dispensaria por longo tempo nova intervenção estrutural. Não foi o que ocorreu. Isto porque o trabalho modelar que sempre procuramos desenvolver, associado à presença crescente dos nosso profissionais na comunidade, resultou em vultoso acréscimo de matrículas na turmas que mantínhamos. Novamente, a escola se debilitava em face do grande número de alunos contraposto ao exíguo espaço de que dispunha. Assim, em 2009 a escola passou por outra reforma, que eliminou aqueles inconvenientes e permitiu melhorar o atendimento à clientela do bairro José Américo e adjacências. Atualmente, funcionamos com dez salas de aula, sala de leitura, laboratório de informática, sala para especialistas, refeitório, recreio coberto. Pedagogicamente, primamos por uma educação de qualidade. Trabalhamos com projetos numa perspectiva em que toda a comunidade escolar esteja envolvida no desdobramento das ações e decisões tomadas pela equipe escolar. Acreditamos que uma das formas de aperfeiçoar a administração do processo educacional seja a parceria com o Conselho Escolar, entre nós cultivada com grande apreço, já que a disposição colegiada deste órgão fomenta o valor democrático de nossa gestão e propicia que a escola seja regida por uma orientação construída a partir das mais distintas opiniões, coordenadas e racionalizadas pela discussão autorizada pelo arranjo do Conselho. A equipe gestora tem mandato de dois anos, sendo eleita através do voto direto, o que, de certo modo, contribui para uma maior autonomia no processo de gestão.

Projeto Rádio Escola


O Projeto Rádio Escola foi elaborado pela educadora e também gestora da Escola Lucia Teixeira. Está sendo desenvolvido com o apoio do professor de Geografia Valberto Bezerra. Consiste numa proposta de envolver o alunado numa visão do pensar como trabalhar rádio na escola conduzindo para o processo ensino aprendizagem. Ao longo do mês de outubro do ano de 2009, oficinas foram realizadas, visitas a rádio comunitária local, reuniões e estudos.  Os alunos do 6º ano do turno manhã elaboraram uma proposta da programação que deverá ser desenvolvida no ano de 2010.

Projeto Recreio Dirigido e Divertido


O Projeto Recreio Dirigido e Divertido  foi pensado e elaborado pels educadoras: AnaMaria do Amaral e Rivana Andrea ( professoras readaptadas que atuam na Escola Municipal Carlos Neves da Franca na função de especialistas). O Projeto foi elaborado com uma proposta para que o  horário do recreio destinado para as crianças passasse  a ser um momento de diversão com respeito e responsabilidade, porém divertido. Para tanto, existe uma integração de toda a equipe da escola no sentido de fazer com que as crianças brinquem repensando e fazendo um resgate das brincadeiras mais antigas, hoje esquecidas. No entanto, durante o  momento de recreação os edunados brincam de amarelinha, pula-corda, bambolê, jogos de dama, xadrez, etc.

Projeto Vida e Harmonia


O Projeto Vida e Harmonia tem como norte orientar a proposta pedagógica a ser desenvolvida pela Escola Municipal Carlos Neves da Franca. Neste sentido, visa resgatar o trabalho em sociedadade, buscando a formação de indivíduos conscientes para o exercício da ética e da cidadania. Durante o ano letivo o projeto é desenvolvido com uma temática destinada para cada bimestre: vivendo em harmonia com o outro, vivendo em harmonia com o ambiente, corpo e mente em harmonia e viva a harmonia na igualdade e na diferença.